POLINIZADORES PORQUE ESTÃO A DESAPARECER E PORQUE PRECISAMOS DELES?

AAs abelhas e outros insetos polinizadores são essenciais para os nossos ecossistemas e biodiversidade, porém estão a diminuir a um ritmo trágico. Um novo estudo de investigadores europeus afirma que 41% de todas as espécies de insetos está a desaparecer.

Menos polinizadores é sinónimo de um declínio de várias espécies de plantas, que podem até desaparecer, por dependerem destes animais, direta ou indiretamente. Para além disto, a diminuição do número ou da diversidade das populações de polinizadores tem um impacto na segurança alimentar, com a queda do rendimento de algumas pastagens agrícolas.

Quem são os polinizadores?

Poucas plantas têm a capacidade de autopolinização; a grande maioria depende de animais, do vento ou de água para se reproduzir. Para além das abelhas e de outros insetos, um grande número de outros animais, como: morcegos, pássaros e lagartos procuram o néctar das flores, em termos de polinizadores poderemos considerar, roedores, esquilos ou até macacos, podem ser polinizadores. Com diminuição das populações de abelhas, os apicultores de várias regiões do mundo começaram a polinizar manualmente os seus pomares.



Porque estão a desaparecer?

Os polinizadores são expostos a vários fatores que podem contribuir para o seu desaparecimento. Entre as ameaças estão as alterações na utilização dos solos, para a agricultura ou para a construção de edifícios, que resultam muitas vezes na perda ou degradação de habitats. A agricultura intensiva torna as paisagens homogéneas e pode levar ao desaparecimento da flora natural. Os pesticidas e outros poluentes podem também afetar os polinizadores – diretamente (inseticidas e fungicidas) e indiretamente (herbicidas). As espécies invasoras, como a vespa asiática, tal como algumas doenças e parasitas são particularmente perigosas para as abelhas. As alterações climáticas, que estão a provocar o aumento das temperaturas e eventos meteorológicos extremos, também contribuem para este problema.



Principais causas para a perda de biodiversidade
  • Alterações do uso dos solos (ex.: desflorestação, utilização intensiva da monocultura, urbanização)
  • Exploração direta (ex.: a caça ou a sobrepesca)
  • Paisagens homogéneas
  • Alterações climáticas
  • Poluição
  • Espécies invasoras (ex.: vespa asiática)

Marla Spivak na TED TALK “Why bees are disappearing”, explica de forma muito simples de como a vida de insetos como as abelhas são tão importantes para nós. Eis uns dos seus pontos de vista mais elucidativos:

TED

Não sei como (as abelhas) se sentem a terem um vírus ou um parasita, mas sei como é estar como uma constipação.Sei o quão difícil é para mim ir a um supermercado para encontrar uma boa nutrição, mas e se eu vivesse num deserto e se tivesse de fazer uma longa viagem para chegar a um supermercado e finalmente quando chegasse com o corpo exausto os alimentos estivessem cheios de pesticidas e neurotoxinas e impossibilitar-me-iade encontrar o caminho para casa.

Se continuarmos a usar pesticidas com a mesma intensidade como até agora, se continuarmos a seguir um modelo de agricultura industrial que ameaça os ecossistemas, os agricultores vão perder os polinizadores, com implicações no nosso sistema alimentar.

Mute Schimpf, ONG Amigos da Terra – Europa
O que podemos fazer para ajudar?

Consumir produtos Biológicos – para além de melhores para a nossa saúde por não conterem agrotóxicos, não contaminam o meio ambiente na sua produção, além de contribuir para o apoio do comércio local.

Plantar ou cultivar alimentos para polinizadores

Contribuir para o cultivo de espécies de flora apícola (plantas/flores que fornecem pólen e néctar) ajudará a socorrer estes insetos que possuem papel-chave na manutenção dos ecossistemas e por isso contribuir com a existência desses pequenos seres é optar por uma atitude sustentável. Uma forma simples é através de uma pesquisa rápida sabermos quais as plantas nativas da nossa localidade e plantá-las nas varandas/ hortas/quintais.

Seguem alguns exemplos práticos:

Plantas aromáticas: manjericão, orégãos, hortelã, alecrim, tomilho.

Flores: girassol, margaridas, dentes de leão, lavanda.

Por contribuirmos para a sobrevivência destas espécies estamos a lutar para um ecossistema mais sustentável e para um futuro promissor para as gerações futuras.