António “Thó” Simões nasceu em Malanje, em 1973. Afirma que não é pintor, nem artista plástico – nega quaisquer rótulos que limitem as suas intenções. Simões pinta, faz colagens, cria arte urbana e digital, performances, instalações, filmes e fotografias, mas o trabalho não obedece a uma componente ou tendência que permita identificar com clareza um determinado estilo.

© Murais da Leba

“Se calhar o mais fácil seria dizer que sou, somente, um artista”.

DOCUMENTÁRIO – “AS CORES DA SERPENTE”
Documentário “As Cores da Serpente”do realizador brasileiro Juca Badaró estreou dia 21 de Março, no Estado de São Paulo, com a presença do artista Thó Simões e o mentor do projeto, Vladimir Prata.

O começo nas artes, deu-se na União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) e depois no Instituto de Formação Artística e Cultural (INFAC), onde se formou.

É um pesquisador nato, curioso por natureza. O magnetismo que África e Angola exercem no seu trabalho são inegáveis, tanto como os vários lugares que já visitou no mundo.

© Harby Jazz

Para exprimir estes afectos, ora usa influências da arte moderna ou tradicional, como a arte étnica Tchokwé ou inspirações vindas dos povos de Angola; ora usa arte abstracta. É visto com frequência nas ruas de Luanda, seja a expor, a observar ou simplesmente a sorver a vida que flui ao seu redor.

Hoje, abraça ainda projectos de carácter sociocultural e ambiental – o grafitti no Elinga Teatro, contra a sua destruição, não deixa ninguém indiferente. Filho da primeira geração de artistas do pós-independência, a passagem de conhecimentos e técnicas é essencial para Thó, que relembra uma altura difícil para os jovens artistas que entravam no mundo da arte.

© Grafitti

Com os olhos sempre postos no futuro e as mangas arregaçadas, Simões concluiu o celebrado projecto Murais da Leba, em 6000m2 de parede nas províncias do Namibe e Huíla, englobando artistas angolanos e internacionais, alunos do ensino primário e secundário, na arte urbana.

No Camões/Centro Cultural Português, em Angola, inaugurou o seu mais recente trabalho de pintura, instalação e performance, denominado CONGOLÂNDIA – Multiversos em Desencanto.

© Thó Simões

Em CONGOLÂNDIA, Thó reafirma o seu perfil abrangente, não susceptível de enquadramento em categorias ou estilos artísticos, muito demarcados. Sem rótulos, apresenta pintura, instalação e performance, cria arte urbana e assume-se apenas como artista.

A exposição CONGOLÂNDIA reflecte a prática e o crescimento de Thó Simões nos últimos cinco anos e explora o gesto performativo da sua obra, ligado ao grafitti. Contudo, vai mais além ao assumir a performance como a própria obra. Este trabalho desenvolve-se em torno de um discurso sobre o poder, podendo, por isso, assumir-se como crítica social, no qual o espectador é envolvido, passando a fazer parte da própria obra.

© Mumuila girl

Recentemente, a sua assinatura esteve presente além fronteiras, na  mostra Exchange na Holanda (Schiedam), juntamente com o artista holandês Lawrence Kwakey, onde apresentaram trabalhos em várias disciplinas e também participaram no #fotofestivalschiedam com o tema Re: Search.


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