Misture praias de água quente cristalina, pintadas de um azul coral vestido de verde, com apaixonantes montanhas, na sua maioria vulcões (alguns deles ainda activos) onde a paisagem natural, animada pelos cheiros e sons, “implora” por uma fotografia. Junte campos de arroz a perder de vista a uma medida generosa de exotismo e espiritualidade. Finalmente adicione a palavra “paraíso”, pelo misticismo circundante, em que os templos budistas e a adoração aos deuses tornam-se os protagonistas de uma viagem de introspecção, autenticidade e reencontro consigo próprio. E terá à mão de semear um lugar para estar e querer ficar.

© Istock

Acabámos de aterrar na “Ilha dos Deuses”. A ansiedade e o stress fazem parte do passado. Já a satisfação é imediata, com uma enorme vontade de explorar terrenos nunca antes desbravados. É hora de nos dirigirmos para o hotel, em Seminyak, para fazermos o check in, deixarmos as malas e iniciarmos a nossa aventura.
Bali é uma das mais de 17 mil ilhas da Indonésia e encontra-se entre as ilhas de Java, a Oeste, e Lombok, a Leste, tendo como capital Dempassar. Banhada pelo Oceano Índico, tem apenas 5.780 quilómetros quadrados e a sua população é maioritariamente hindu, tendo como prática comum o acto de adoração aos deuses. Cerca de 22 mil templos povoam um lugar de culto, em que locais extremosos fazem questão de confirmar a sua devoção diária com oferendas meticulosamente preparadas, em pequenos cestos de folhas de palmeira – onde flores, frutas, arroz e incenso se juntam numa perfeita alquimia. Um cenário mágico para o nosso olhar.

© Bali

Em Seminyak, todos os caminhos vão dar ao epicentro do bom gosto e ao lado mais cosmopolita da ilha. Um pouco por toda a parte, deparamo-nos com resorts de luxo, spas idílicos, restaurantes de fusão com grandes chefs internacionais. Lojas sofisticadas de roupa e decoração aparecem dispostas estrategicamente para presentearem turistas sedentos de peças locais e únicas. Muitas delas, autênticas obras de arte.

© Dendy Darma

Depois, no lugar mais inusitado ou na rua mais discreta deparamo-nos com alguma manifestação espiritual ou cultural que nos faz parar e dali não querer sair, ficamos simplesmente a contemplar. Aqui, o tempo torna-se secundário, totalmente desprovido de artifícios e frivolidades.

© Frank Mckenna

Após o pôr-do-sol, majestoso e inesquecível, como poucos em todo o mundo, Bali sucumbe aos mistérios da sua noite electrizante e frenética. Parece uma exímia actriz que encarna diversas personagens, com entrega absoluta em prol do resultado final. Clubes conceituados a nível internacional com os melhores DJs da actualidade, como o famoso Ku De Ta, o elegante Potato Head Beach Club e o WooBar, confirmam que os ventos sopram a favor de uma diversão nocturna sem precedentes. Para os amantes noctívagos da night life, a ilha “é boa e recomenda-se”.

© Istock

A humidade beija-nos a cara e o fato de banho não pode faltar. O destino? A praia de Tanjung Benoa. Anteriormente uma vila piscatória, agora modernizada e alterada com vários hotéis de cinco estrelas e resorts, está bem equipada com o melhor cardápio de desportos náuticos, como a prática do jet-ski e o banana boat. Chegamos ao Éden e mergulhamos imediatamente. A alegria que estamos a sentir já é mais do que suficiente para nos lavar a alma. Barcos antigos sentam-se à beira-mar, dando um ar pitoresco à imagem envolvente. O momento que une quietude e plenitude pede, decididamente, uma água de coco para comemorar.

© Istock

Acordamos com um manjar de frutas frescas e suculentas, cortadas em flores. A harmonia teima em permanecer. Serena e imóvel. Estamos de partida para o hot spot mais cool de Bali: Single Fin, na praia de Blue Point, em Uluwatu. Ponto de encontro de surfistas e amantes de yoga, a  sua tela é pincelada com o Oceano Índico como pano de fundo e faz-nos suspirar. Estamos perto de outra atracção turística. Seguimos estrada em direcção ao Templo Pura Uluwatu, mais conhecido como “Templo dos Macacos”, situado no extremo sul de Bali. Construído no alto de um penhasco em frente ao mar, a sua posição foi pensada para proteger a ilha dos maus espíritos do Sudoeste. Com origem no século X, reúne centenas de macacos que convivem livremente pela floresta circundante, sendo considerados uma espécie sagrada para os hindus. Dispersos pelas redondezas, estão sempre prontos a brincar com quem por ali passa. Todo o cuidado é pouco, mas há algo de purificador neste lugar. Os sons são variados e a festa é animada. Em cada recanto existe vida que coabita em equilíbrio. Fechamos os olhos e a viagem é longa, libertadora e, sem dúvida, memorável. Queremos mais.

© Bali

Com o desabrochar da noite e a despedida do sol, decidimos ficar para apreciar a performance de dança Kecak balinesa. O fogo incendeia-nos a vista, mas o espectáculo, pautado por cânticos tribais, é uma delícia de se ver. Na sua maioria, os intervenientes são agricultores locais que, nas horas livres, dão o seu forte contributo à cena cultural.

© Istock

Perdermo-nos em Bali é fácil. Apesar de ser uma ilha pequena, existe tanto para conhecer e fazer que a escolha do próximo passo é sempre uma decisão complicada e tremendamente difícil. Não sei se é por ser adepta deste tipo de lugares, místicos e carregados de simbologia, que fico extasiada com tudo o que vejo, ou se porque sou uma amante incurável de histórias com finais felizes, nomeadamente, do livro best-seller de Elizabeth Gilbert “Comer, Orar, Amar”. O certo é que agora o puzzle faz sentido e torna-se amor à primeira vista.


Texto: Irina Alves (cedido por Rotas & Sabores) | Fotografias: iStockphoto


 

DESTAQUES:
Aqui, o tempo torna-se secundário, totalmente desprovido de artifícios e frivolidades. Após o pôr-do-sol, majestoso e inesquecível, como poucos em todo o mundo, Bali sucumbe aos mistérios da sua noite electrizante e frenética. Acordamos com um manjar de frutas frescas e suculentas, cortadas em flores. A harmonia teima em permanecer. Serena e imóvel. Em cada recanto existe vida que coabita em equilíbrio. Fechamos os olhos e a viagem é longa, libertadora e, sem dúvida, memorável. Queremos mais. O fogo incendeia-nos a vista, mas o espectáculo, pautado por cânticos tribais, é uma delícia de se ver.

© National Geographic