PLASTIC CONSUME

PLASTIC CONSUME

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A preservação do meio ambiente é um dos temas mais em voga dos últimos anos. As catástrofes naturais a que temos assistido tendem a fazer-nos pensar que a mão do Homem, devido à inerente ganância por dinheiro e poder, pode ser fatal para o nosso planeta. Cada vez mais, a preocupação com o meio ambiente deve estar presente nas nossas mentes como prioridade. A aposta numa educação “verde” dirigida ao ser humano, que é, por natureza, um animal de hábitos, desde cedo é imprescindível se queremos que as gerações vindouras não contribuam ainda mais para a degradação do planeta Terra. Neste sentido, a revista Baiga pretende dar o seu contributo alertando e informando os seus leitores sobre os problemas associados às más práticas do ponto de vista ambiental. É através da educação que o gesto individual poderá fazer a diferença, no sentido de unir esforços para salvar o planeta em que coabitamos de mais desastres ambientais. Um dos principais catalisadores destes desastres é o uso desenfreado do plástico.plastic

Produzido por Manuel de Almeida Salvador / Editado por Ricardo de Carvalho

O plástico é a matéria-prima mais utilizada pelas indústrias no fabrico de diferentes artigos. A sua composição é formada por polímeros sintéticos produzidos com base em petróleo, demorando sensivelmente cerca de 100 anos a decompor-se. A ampla versatilidade de utilização e o custo reduzido são factores perentórios que perpetuam a sua utilização, quer por parte das diversificadas indústrias, como por parte dos consumidores. A indústria consegue produzir artigos de baixo custo maximizando os lucros e o consumidor vê problemas quotidianos resolvidos, como o saco das compras, como as embalagens que permitem a conservação e o transporte dos alimentos, entre outras utilizações. Desta forma, é estabelecida uma relação de custo-benefício entre produtores e consumidores. No entanto, quem acaba por sofrer com esta relação é o meio-ambiente e, consequentemente, o ser humano que se vê cada vez mais impregnado num mundo plastificado.
Sendo que este é um tema bastante noticiado nos últimos tempos, temos assistido ao que podemos chamar de continente de lixo plástico, que anda a flutuar pelo oceano prejudicando todo o ecossistema marítimo. Segundo estudos recentemente publicados, estima-se que sejam despejadas no oceano cerca de 10.000 toneladas de lixo plástico por ano e que em 2050 haverá mais deste lixo do que fauna marítima.

© Adrien Taylor

É urgente o Homem começar a tomar uma atitude focada no retrocesso ou no não avanço deste problema, que não só é ambiental, como também social. Neste sentido, há já algumas entidades, marcas e também personalidades individuais que começam a fazer a diferença no que respeita a práticas mais éticas para com a sustentabilidade do planeta, nomeadamente na indústria da moda.
Criar um espaço dentro de uma empresa que se dedique a pensar em estratégias de boas práticas de sustentabilidade ambiental torna-se tão ou mais importante como pensar em estratégias de marketing. Com a crescente consciencialização sobre o problema que envolve a sustentabilidade ambiental, e não havendo até ao momento muitas marcas (devido à relação de benefício entre produtor-consumidor acima mencionada) a adoptar estratégias sustentáveis como política de empresa, torna-se trendy e bem visto ter este tipo de preocupação.

© Dustan Woodhouse

Segundo o site Business of Fashion, marcas como a H&M, Adidas, Stella McCartney e G-Star Raw, já estão a atuar neste campo, pretendendo transformar o lixo em luxo. Banir e reciclar são as palavras-chave em que se baseiam, quer seja pela escolha de materiais alternativos de transporte de produtos, quer seja pelo uso de plástico reciclado na confecção de calçado e vestuário.
Em 2015, a marca sueca H&M prometeu triplicar até ao fim desse ano o número de peças confeccionadas a partir de fibras produzidas através componentes de lixo plástico.
A marca alemã Adidas fez, em 2016, uma parceria com uma organização que se dedica a acabar com a destruição da vida marítima nos oceanos – Parley for the Oceans – comprometendo-se a utilizar na confecção das suas peças de vestuário e calçado a mesma fibra acima mencionada, bem como a abolir o uso de sacos de plástico nas suas 2900 lojas.

© Hermes Rivera

Em 2017, Stella McCartney fez também o mesmo acordo com a mesma organização, que é composta por artistas, designers, músicos e cientistas, que afirmam que grande parte do lixo plástico acaba no meio do oceano envolvendo baleias, tartarugas, pássaros e acabando também no interior de alguns peixes, danificando-lhes os órgãos internos.
Por fim, também a retalhista holandesa G-Star Raw, através de um acordo com a Parley for the Oceans, comprometeu-se a lançar uma linha denim feita de plástico reciclado.
Relativamente ao caso de Portugal, o governo está a preparar medidas para reduzir o consumo e recurso a sacos ou a embalagens de plástico, que podem passar por incentivos fiscais ou a aplicação de taxas.

© John Cameron

A medida será aplicada em 2019, sendo que os possíveis incentivos fiscais serão para as empresas que têm atividade relacionada com o consumo de plástico, para que recorram a materiais mais sustentáveis. Já as taxas serão aplicadas aos consumidores (medidas previstas no orçamento do Estado). Outras das soluções para a redução de consumo de plástico podem ainda passar pela sinalética em lojas ou pela partilha de utensílios entre cafés, que podem ser reutilizados.

© National Geographic

Quanto a Bruxelas, a proposta da Comissão Europeia prevê a proibição de cotonetes, talheres, pratos, palhinhas, fabricados em plástico. Todos estes produtos representam 70% da poluição marítima, alerta Bruxelas.
Caso a proposta seja aprovada, os Estados-membros têm ainda de recolher 90% das garrafas de bebidas de plástico descartáveis até 2025, por exemplo, através de regimes de restituição de depósitos.

© Ted Ed