A Kosmos Galeria apresentou, no dia 13 de Março, a exposição “Solo Sagrado: Um Olhar Delas”, reunindo artistas angolanas que exploram a relação entre o feminino, a natureza e as raízes culturais. A vernissage teve lugar no Shopping Avenida em Luanda, transformando o espaço em um território simbólico de memória, cura e resistência.
Mello Silva
Com curadoria de Lucymara Amado, a mostra surge de uma reflexão pessoal da curadora sobre identidade, sentimentos e processos de reconstrução. Realizada no mês dedicado às mulheres, a exposição propõe um convite à introspecção e à reconexão com o feminino.
A colectiva reúne obras das artistas Márcia Simão, Sarhai, Jasi Pereira, Imani da Silva, Mariana Kumenda, Oksanna Dias e Rosa Quissama, que apresentaram diferentes linguagens artísticas e abordagens temáticas.
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Entre as expositoras, Imani da Silva destacou a valorização da forma feminina, explorando rostos imaginários e o nu artístico como forma de questionar tabus ainda presentes na sociedade. Já Oksanna Dias mostrou obras que dialogam com memórias familiares, incluindo uma peça inspirada na figura da sua avó e no uso do ferro de engomar a carvão, elemento que, na sua interpretação, remete às heranças do período colonial e às estratégias de sobrevivência.
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A artista Mariana Kumenda apresentou trabalhos centrados na consciência e na transformação de materiais descartáveis, refletindo a sua filosofia de transmutação da matéria. Já Sarhai apresentou uma investigação sobre a areia vermelha, elemento frequentemente banalizado em Luanda, mas que em várias províncias de Angola possui significados culturais ligados à cura, fertilidade, proteção e conexão ancestral.
Com diferentes perspectivas e linguagens, “Solo Sagrado: Um Olhar Delas” reafirmou o papel da arte contemporânea angolana como espaço de reflexão sobre identidade, memória e pertencimento. A exposição destacou, sobretudo, o olhar feminino como força criadora e agente de diálogo entre tradição e contemporaneidade.
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