CRUELTY FREE

Num mundo em que cada vez mais se deseja ser fit, green e animal friendly, são várias as marcas de cosméticos que seguem a nova tendência da era dos millennials e generation Z, que tem toda a lógica em perdurar.

Mas antes de indicarmos algumas das muitas marcas que são amigas dos animais, vamos entender em que consistem os testes em animais, que empresas ainda utilizam estes testes de forma a lucrarem, quais são as associações que defendem os direitos dos animais e o que é um produto cruelty-free.

Os testes em animais remontam aos anos 30 e à indústria farmacêutica. São o resultado de um medicamento que foi comercializado sem que tivessem sido efetuados quaisquer tipos de testes ou pesquisas científicas em animais e que resultou em várias mortes. Desde aí, os Estados Unidos aprovaram uma lei, a The United States Federal Food, Drug, and Cosmetic Act (FFDCA, FDCA ou FD&C), em português, a Lei Federal de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos dos Estados Unidos. Esta obriga a que os alimentos, medicamentos e cosméticos sejam testados antes de serem comercializados.

Os testes em animais tornaram-se obrigatórios de forma a verificar a segurança e as propriedades hipoalergénicas dos produtos quando usados pelos humanos, sendo os coelhos, ratos, hamsters, sapos e porquinhos da Índia os principais animais utilizados na indústria de cosmética.

Alguns dos testes incluem penetração dérmica (método que ajuda a compreender como a pele vai absorver o produto), sensibilização da pele (determina se uma substância química causa uma reacção alérgica), toxicidade aguda (teste que determina os efeitos da exposição a uma substância química pela boca, pele, nariz ou olhos), teste de Draize (um método de teste que pode causar irritação ou corrosão da pele ou dos olhos nos animais) e testes de corrosão ou irritação da pele (testes que avaliam o potencial de uma substância causar danos irreversíveis à pele), com substâncias tóxicas injetadas nos olhos, pele, orelhas e boca. Os resultados dos testes podem causar convulsões, perda da função motora, convulsões e até mesmo a morte. Na realidade, apenas um ingrediente utilizado num produto de beleza pode resultar na morte de até 1400 animais.

Os efeitos não são apenas físicos, mas também psicológicos. Os coelhos, por exemplo, ao serem transferidos para laboratórios de pesquisa, passam a viver em gaiolas de plástico ou metal pequenas e compactas, totalmente diferentes do seu habitual natural. Os animais vivem num clima de tédio e frustração e começam a desenvolver hábitos de stress constantes, apresentando comportamentos repetitivos e de automutilação.

Com o passar dos anos, começou a existir uma maior consciencialização e julgamento ético, com a formação de grupos que defendem a protecção dos direitos dos animais, os ativistas que se opõem aos testes laboratoriais em animais, principalmente numa indústria em que o principal objectivo é melhorar o aspeto físico do homem.

Uma das associações que é ainda hoje uma referência na luta pela defesa dos direitos dos animais é a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), criada em 1980 por Alex Pacheco e Ingrid Newkirk. Para esta associação, o sofrimento animal é equivalente ao sofrimento humano, o que significa que um rato não é diferente de uma pessoa.

© Bibiana Grave

Juntamente com a PETA, existem outras organizações, como a European Coalition to End Animal Experiments (ECEAE), que se dedica a ajudar a eliminar todos os testes em animais dentro da União Europeia (em 2013, a União Europeia bania os testes cosméticos em animais, colocando em vigor uma proibição da venda de produtos de cosmética que contenham ingredientes testados em ensaios de toxicidade específica em substâncias a utilizar para fins cosméticos), a Coalition for Consumer Information on Cosmetics, que detém o programa Leaping Bunny, que permite aos consumidores saberem quais os produtos que são e não são livres de crueldade, e o Center for Alternatives to Animal Testing (CAAT), que procura encontrar novos métodos para substituir o uso de animais de laboratório em experiências, reduzir o número de animais que são testados e aperfeiçoar os testes necessários para eliminar a dor e o sofrimento. Estas, entre muitas outras organizações, lutam diariamente para defender a vida e os direitos dos animais.

Apesar da luta destas organizações, a beleza é uma indústria muito atrativa que continua a seduzir as marcas, inclusive as grandes marcas de luxo, como a Gucci, Chanel, Burberry, Dior, YSL, Lancôme, Estée Lauder e Shiseido, a investir neste mundo dos cosméticos que rende bilhões, sendo os cremes, produtos para o cabelo, produtos de higiene pessoal, maquilhagem, perfumes e desodorizantes, as categorias principais desta indústria.

Com a evolução da tecnologia, os testes in vitro para determinar potenciais riscos, a utilização de células e tecidos, a pele artificial e as pesquisas em computador ou voluntários humanos tornaram-se algumas das alternativas à utilização de animais em testes laboratoriais. Apesar de muitas marcas adoptarem estas opções, muitas são ainda aquelas que escolhem o lucro em detrimento dos princípios e continuam a realizar testes em animais de forma a comercializarem os seus produtos. Isto acontece principalmente na China, um dos mercados mais valiosos do sector da beleza e que exige que sejam realizados testes em animais de forma a que os produtos possam ser vendidos no país.

Existe ainda a diferença entre testes realizados num produto final ou num ou vários ingredientes que compõem o produto. Para um produto ser verdadeiramente cruelty free, ou livre de crueldade, é necessário garantir que não tenham sido realizados testes em animais, não só no produto final, mas em nenhum dos ingredientes utilizados para a produção do mesmo. Quando um produto é verdadeiramente cruelty free, podemos encontrar na embalagem um símbolo de um coelho certificado (atenção existem apenas três oficiais). Porém, para utilizarem este símbolo, as empresas têm de pagar uma taxa. Assim, nem todos os produtos livres de crueldade têm o símbolo do coelhinho. Outra das formas de verificação é através do site da PETA, Leaping Bunny, Cruelty free Kitty, Ethical Elephant ou simplesmente contactando a marca através de um e-mail.


Abaixo seguem algumas das marcas que ainda realizam testes em animais, as marcas que são livres de crueldade, e os três coelhinhos oficiais Cruelty Free:

ANIMAL TESTING:
Atelier Cologne; Avon; Benefit Cosmetics; Biotherm; Bobby Brown; Burberry; Caudalie; Clinique; Dior; Dolce & Gabanna; Erborian; Estée Lauder; Giorgio Armani; Glamglow; Guerlain; Jo Malone; Kerastase; Kiehl’s; La Mer; Lancome; LaRoche; Posay; MAC Cosmetics; MakeUp Forever; Nars Cosmetics; Origins; Prada; Schwarzkopf; Sephora Cosmetics; Tom Ford; Veet; Vichy; Victoria’s Secret; Yves Rocher.
CRUELTY FREE BRANDS:
Anastasia Beverly Hills (*vasta gama de produtos vegan); Aveda; Beauty Blender; Becca; Ben Nye; Butter London; Charlotte Tilbury (*vasta gama de produtos vegan); Elf Cosmetics; Essence; Fenty Beauty; Inglot: Kat Von D: Kiko Cosmetics; Konjac; Korres; Kylie Cosmetics; Lime Crime; Lust; Marc Jacobs Beauty; Nails Inc; NYX; Paula’s Choice; Physicians Formula; Pixi; Pureology; Sleek; Smashbox; Tata Harper; Tarte Cosmetics; The Body Shop; Too Faced; Urban Decay; Wet n Wild; Yes to Carrots; Zoeva.

As escolhas que fazemos diariamente devem ser conscientes e ter em conta as mudanças que são inevitáveis no mundo em que vivemos. Podemos e devemos viver em harmonia, respeitando o próximo, o meio ambiente e os animais. Como dizia Gandhi “A grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser julgados pela maneira como os seus animais são tratados”.