O artista angolano, Evan Cláver, surpreendeu uma vez mais, além-fronteiras – desta vez na feira de arte contemporânea 1-54, em Marraquexe, de 5 a 8 de Fevereiro de 2026.
Com o apoio da The Art Affair e uma mostra individual apresentada, a obra de Evan Cláver convidou a um estado intenso de observação, no qual o espectador poderia manter os seus sentidos em alerta e percepcionar movimento nas figuras retratadas.
Trabalhando com fotografia, performance, colagem, instalação e vídeo, Anita Sambanje constrói um território visual onde o íntimo se cruza com o ancestral.
As obras não oferecem respostas fechadas: lançam perguntas sobre quem somos, de onde viemos e que partes de nós permanecem soterradas pelas narrativas dominantes. O fragmento, aqui, não é ausência, é método, linguagem e potência.
A exposição propõe uma leitura expandida da identidade, entendida como um processo em constante transformação. Inspirada nas tradições orais africanas e nas espiritualidades que atravessam o quotidiano angolano, Sambanje investiga o elo delicado entre vida e morte, tratando-os não como opostos, mas como estados contínuos de existência e renovação.
Artista multimédia a viver e trabalhar em Angola, Anita Sambanje desenvolve uma prática que emerge do sonho, da intuição e da relação profunda com o mundo natural. Para a artista, o humano não se separa do espiritual nem do ambiente que o rodeia, pelo contrário, tudo coexiste num mesmo campo de forças.
Essa visão traduz-se numa linguagem visual sensível, onde os materiais parecem carregar memória própria e os gestos artísticos assumem caráter ritual.
A curadoria de Luamba Muinga, curador, pesquisador cultural e escritor, reforça o caráter reflexivo da exposição.
Conhecido pelo seu trabalho crítico no campo da arte contemporânea, Muinga propõe uma leitura que respeita a fragmentação como estrutura narrativa, permitindo que cada obra dialogue livremente com o espaço, o público e as restantes peças da mostra.
UNEARTHED Travessias Fragmentárias afirma-se, assim, como mais do que uma exposição: é um exercício de escavação simbólica e uma convocação ao olhar atento.
Um convite para atravessar camadas de tempo, memória e espiritualidade, num percurso onde o visível é apenas o início.
A exposição vai estar disponível até o dia 9 de Janeiro de 2026.












